Há um momento, todos os sábados de verão, em que os pontões de Maó mudam de guarda: uma tripulação desce com a pele curtida e os sacos desfeitos, e outra chega do aeroporto com a semana inteira pela frente. O dia de embarque é a dobradiça do charter — e, bem gerido, já faz parte das férias. Mal gerido, é uma mudança à pressa.
Este guia organiza esse primeiro dia em Menorca: onde ficam as bases, o que esperar do check-in, o que meter nos sacos, onde fazer compras à altura da semana e como transportar tudo — pessoas, petates e provisões — do avião ao barco sem que ninguém sue mais do que o necessário. Para o detalhe de cada porto (marinas, tempos desde o aeroporto, até onde chega o carro), tem o guia de como chegar ao seu barco em Menorca.
O essencial
- A semana de charter vai, regra geral, de sábado a sábado; fora de época há mais flexibilidade.
- As horas de check-in e check-out são definidas por cada base — em Menorca não há uma hora padronizada e publicada. Peça-as na reserva e organize o dia com elas.
- A base principal da vela é o porto de Maó (Moll de Llevant e Sa Colàrsega); também se aluga em Ciutadella, Fornells, Addaia e Cala en Bosch.
- Sacos macios, não malas rígidas. A bordo não há armários para rígidas.
- As compras com critério fazem-se nos mercados de Maó (Claustre e Peix) ou em sa Plaça de Ciutadella; a despensa grande, no supermercado, antes de descer ao cais.
Onde começa a sua semana
A maior concentração de bases de aluguer está no porto de Maó — com operadores locais entre o Moll de Llevant e Sa Colàrsega —, o que torna o embarque menorquino num dos mais cómodos do Mediterrâneo: o aeroporto fica a cerca de dez minutos do pontão. Também zarpam charters e alugueres a partir de Ciutadella e Fornells, do porto-lago de Cala en Bosch e de Addaia, na costa nordeste. Cada base tem a sua logística; o guia porto a porto diz-lhe quanto tempo demora até cada uma e onde o carro o deve deixar.
O sábado, por dentro
O ritual é simples: a tripulação que sai entrega o barco, a base revê-o e reabastece-o, e a que entra embarca com o briefing técnico e a papelada antes de desfazer os sacos. As horas dessa troca não são padronizadas em Menorca: cada operador comunica as suas, e é esse número — não o do voo — que organiza o seu dia.
Daí as duas decisões que mais pacificam um embarque. Primeira: reserve o transfer para a hora a que a base o espera, não para a de aterragem. Segunda: se o avião chegar bastante antes, pergunte à sua base se pode deixar a bagagem enquanto passa o tempo — e torne-se o único a bordo a começar as férias a comer descansado no Moll de Llevant em vez de vigiar petates.
Os sacos: macios, e menos
A mala rígida é o inimigo íntimo do charter: não cabe nas arcas, estorva nos camarotes e acaba a ocupar o beliche de alguém. Petates e sacos macios, menos roupa («no barco repete-se», dizem os patrões), um casaco leve para as noites de tramontana, calçado de sola clara para o convés e pouco mais. O conjunto, mesmo assim, ocupa volume: uma tripulação de oito com as suas compras são facilmente quinze volumes. É por isso que convém pensar o transfer do aeroporto pelo volume da mala, não só pelos lugares.
As compras: mercados com alma (e despensa com cabeça)
Abastecer um barco em Menorca pode ser um trâmite de hipermercado ou o primeiro prazer da semana. A nossa receita combina os dois. A despensa de fundo — água, pequenos-almoços, básicos — resolve-se nos supermercados da cidade da sua base, antes de descer ao cais. E o produto que dá carácter procura-se onde vive: em Maó, o Mercat des Claustre (no claustro do Carme, sobre o porto) e o Mercat des Peix na Plaça d’Espanya, com as peixarias de manhã; em Ciutadella, o mercado de sa Plaça de la Llibertat, a cinco minutos a pé do porto velho, sob a sua estrutura de ferro do século XIX.
No cesto desta casa nunca faltam o queijo Mahón-Menorca DOP — a história do queijo merece ser lida com ele à frente —, fruta da terra e pão para os meios-dias de fundeadouro. Confirme os horários dos mercados antes de ir (aos domingos, especialmente) e, se a compra for grande, suba-a de carro até ao ponto mais próximo do pontão em vez de peregrinar com ela.
A volta, decidida na ida
O último dia do charter tem uma física peculiar: o barco entrega-se à hora marcada pela base e o voo, muitas vezes, sai bastante mais tarde. A forma elegante de o resolver é decidir tudo na ida: transfer reservado ida e volta, recolha na base à hora do check-out e, se sobrar uma manhã órfã, um último pequeno-almoço demorado no porto em vez de uma espera no terminal. A margem sobre a hora do voo não se negoceia; a calma do último dia, também não.
Fundear bem desde o primeiro dia
Uma única regra torna qualquer tripulação bem-vinda: a posidónia não se toca. O prado marinho que torna transparente a água de Menorca demora séculos a regenerar-se e a âncora é o seu pior inimigo. Funde-se sobre areia ou em boia — em Fornells, a Ports IB mantém um campo de boias ecológicas reservável online —, e desliga-se o motor cedo. O porquê, o como e o resto da liturgia do mar lento estão no nosso guia de navegar em Menorca: leia-o a bordo no primeiro dia; é o melhor cartão de visita perante a ilha.
O nosso critério
O melhor embarque que já vimos não tinha nada de espetacular: uma tripulação que chegou à hora combinada, com sacos macios e as compras feitas, num único veículo que os deixou à porta do pontão. Às sete da tarde já estavam com os pés na água e o frigorífico cheio. Esse é o padrão. A semana de navegação começa no sábado de manhã, em como decide chegar; que a primeira memória do barco não seja o transfer, mas sim a primeira vez que o porto fica para trás.