Fuerteventura é uma ilha seca, de pouca chuva e muito vento, onde durante séculos o que mais abundou foram cabras. Dessa austeridade nasce o seu produto mais sério: o queijo majorero. Percebê-lo é perceber a ilha — uma raça de cabra feita ao terreno, um leite intenso e uma maneira de o conservar que nunca precisou de disfarces.

O essencial

  • Leite de cabra majorera, a raça autóctone da ilha: é a base que a denominação de origem exige.
  • Denominação de origem desde 1996: o Governo das Canárias aprovou o regulamento em fevereiro desse ano e o ministério espanhol ratificou-o em setembro (jornal oficial espanhol, o BOE, de 14 de setembro de 1996).
  • Três idades: fresco, semicurado e curado. Os curados têm muitas vezes a casca untada com pimentão-doce, azeite ou gofio.
  • A marca da pleita: as faces laterais do queijo conservam o desenho do molde entrançado tradicional.
  • Dados de outubro de 2026.

A cabra antes do queijo

A cabra majorera é a protagonista silenciosa. É uma raça adaptada à aridez, que vive de pasto escasso e dá um leite com carácter. O queijo era, no fundo, a forma que a ilha encontrou de guardar esse leite quando não havia outra maneira de o fazer durar.

A proteção chegou em 1996. Nesse ano, a Consejería de Agricultura do Governo das Canárias aprovou o regulamento da denominação de origem Queso Majorero e do seu conselho regulador, que o ministério ratificou depois com uma portaria publicada no BOE. O texto fixa o essencial: o leite de cabra majorera, a zona de produção — a própria ilha — e as regras da cura.

Fresco, semicurado, curado

O majorero não é um só queijo, mas três momentos do mesmo.

  • Fresco (tierno): branco, húmido, de sabor limpo a leite de cabra. É o queijo do pequeno-almoço e o que melhor deixa perceber a matéria-prima.
  • Semicurado (semicurado): mais firme, já com a acidez e o ligeiro picante da cabra.
  • Curado (curado): compacto, intenso, para cortar fino. Aqui entram as cascas: natural, untada com azeite, com pimentão-doce — que lhe dá aquela cor avermelhada tão reconhecível — ou com gofio, a farinha de cereal torrado que é o outro pilar da despensa da ilha.

Repare nas faces laterais: o desenho em relevo lembra a pleita, a tira entrançada que servia de molde. É a assinatura do majorero, e o regulamento exige-a.

Como comprá-lo bem

Procure o rótulo da denominação de origem: garante que o queijo é da ilha e de cabra majorera. Peça para provar antes de escolher — numa boa banca é o normal — e, se o vai levar no avião, um curado inteiro viaja melhor do que umas fatias de fresco.

O mais agradável é comprá-lo onde se faz. Algumas queijarias da ilha abrem a visitas ou fazem venda direta; os horários mudam conforme a época, por isso confirme-os antes do desvio. Também se encontra facilmente nos mercados das aldeias e nas lojas de produtos locais.

A FEAGA e os prémios Tabefe

Se viajar na primavera, há um encontro que reúne tudo: a FEAGA, a feira agrícola, pecuária e piscatória de Fuerteventura, que se realiza na Granja Experimental de Pozo Negro (Antigua). Durante a feira entregam-se os prémios Tabefe, um concurso de queijos de cabra. É a forma mais simples de provar, numa manhã, queijos de vários produtores e de comparar idades e cascas. As datas anunciam-se todos os anos: confirme-as antes de organizar a viagem. Contamos tudo em Fuerteventura ao longo do ano.

À mesa

O majorero aparece em quase todas as refeições da ilha: em cubos com mojo, frito como entrada ou no fim, com algo doce. Combina com o gofio e com a cozinha de cabra e de peixe salgado que descrevemos em comer em Fuerteventura. E, para ver de onde vem o gofio das cascas, siga para os moinhos de Fuerteventura. E, para o acompanhar, a ilha também tem vinha: veja o guia do vinho de Fuerteventura.

O nosso olhar

O queijo majorero é luxo tranquilo em estado puro: um produto humilde, protegido com rigor e feito com tempo. Não precisa de adjetivos. Prove lado a lado um fresco e um curado com pimentão-doce, devagar, e perceberá a ilha melhor do que com qualquer folheto.

Dados de outubro de 2026, verificados no BOE (14 de setembro de 1996) e em informação publicada sobre a denominação de origem e a feira FEAGA. O caderno de especificações, as datas da feira e os horários das queijarias podem mudar: confirme-os antes de ir. Este guia não é pago para incluir ninguém.