A cozinha de Formentera nasce de duas limitações: pouca água e pouco de tudo. Numa ilha assim, a arte não está em acrescentar, mas em conservar.
O peix sec
É o prato que é preciso perceber. Peixe — tradicionalmente raia ou semelhantes — aberto, salgado e seco ao sol e ao vento sobre caniços. Antes de haver frigoríficos, era a maneira de o peixe durar o inverno.
Hoje usa-se sobretudo desfiado na ensalada payesa, a outra peça do par: batata, tomate, pimento, cebola, azeitonas e esse peixe seco por cima. Soa austero e é exatamente o contrário: um prato com muito sabor, porque o peixe seco concentra tudo o que o fresco tem espalhado.
O resto da mesa
Peixe fresco, evidentemente, nos sítios da costa e do porto. Arrozes, muitas vezes caldosos ou com peixe de rocha. E, partilhado com Ibiza, o flaó, a tarte de queijo fresco com hortelã, que aqui também é a sobremesa de sempre.
Onde e quando
Na costa, os chiringuitos das praias do sul e da zona de Migjorn, que é onde sempre estiveram. No interior, em Sant Francesc e Sant Ferran, os sítios que trabalham o ano inteiro com a gente da ilha.
Come-se tarde, como em todas as Baleares. E em época alta convém reservar: Formentera tem poucas mesas e muita gente em agosto — é aritmética, não exclusividade.
Fora de época
De novembro a março a oferta reduz-se muito, e o que fica aberto está nas aldeias. Não é um inconveniente: é a forma mais honesta de comer aqui, porque quem cozinha fá-lo para os seus vizinhos.